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Análise - Professor Layton And The Curious Village

Por: em 21/01/2012 - 13:45
354 VisualizaçõesComentar (3)

É difícil encontrar jogos que consigam ambientalizar a história junto com puzzles diversos. Muitos jogos como Resident Evil, Silent Hill, Tomb Raider e até mesmo Hotel Dusk Room 215 possuem vários puzzles, mas não muitos a ponto de ficarem a parte da trama, e ao mesmo tempo não são o suficiente para instigar realmente a massa cinzenta do jogador e fazê-lo pensar antes de agir na maioria das vezes. E conforme o passar das gerações de consoles, os puzzles estão ficando cada vez mais escassos, substituídos por ação frenética.

Mas Eis que surge um jogo que consegue juntar uma história brilhante e ao mesmo tempo puzzles muito engenhosos e variados: Professor Layton and the Curious Village, produzido pela Level 5 em 2007 com exclusividade para o Nintendo DS. Este brilhantíssimo game além de trazer uma experiência incrível com sua trama bem elaborada, vem com inúmeros puzzles que com certeza irão te fazer refletir e se questionar qual é a resposta certa. Fiquem agora com a análise completa por escrito e descubra o grande mistério junto com este incrível Professor e seu pupilo.

 

História:

The Curious Village se passa na antiga Inglaterra, e você acompanha as histórias de Hershel Layton, um Professor de arqueologia que ajuda a Scotland Yard a resolver vários casos difíceis. E junto do professor, acompanhamos também o progresso do pequeno Luke Triton, ajudante do professor e que também não deve em nada na questão de resolver puzzles. E são com estes personagens que somos introduzidos em uma curiosa vila, perdida no meio do nada e cujo dono acabara de falecer, e que deixara uma enorme herança para trás. Cabe agora o Professor Layton e seu ajudante resolver o mistério oculto sobre esta herança e do desaparecimento de sua filha e herdeira, além claro, de outras pessoas da vila que também desapareceram (ou morreram) misteriosamente.

É com esta trama que o jogo se desenrola por entre as suas 15 horas de jogatina, sem falar nos puzzles, cuja maioria é condizente com algum mistério na trama, enquanto o resto está lá somente para testar sua capacidade dedutiva. Sobre o enredo, é fácil se apaixonar pelo game, com seus personagens caricatos e divertidos, mas mesmo assim colocados em uma trama até certo ponto séria e dramática. Os personagens principais são os mais carismáticos – Hershel Layton lembra muito uma junção de Sherlock Holmes com Indiana Jones, e Luke Triton é esperto e ao mesmo tempo reflete o público infantil que joga a série.

Com um final surpreendente, The Curious Village possui uma trama simples, mas envolvente e bem elaborada, embora a quantidade excessiva de textos e mais textos a serem lidos pode enjoar gamers mais acostumados com jogos de ação (algo que foi sendo mais ou menos corrigido nos jogos mais recentes do Professor Layton, com a utilização de mais diálogos em áudio e mais cutscenes). Vale também ressaltar que o estilo da franquia beira ao Graphic Novel, portanto muitos jogadores podem achar o game muito parado por conter diálogos demais e pouca ação. Mas pra quem realmente está acostumado com este gênero e gosta de uma boa história e bons puzzles a serem conquistados, este jogo é um prato cheio.

 

Jogabilidade:

A jogabilidade mesmo sendo muito parada e os sprites sendo mais estáticos ainda (algo que falei sucintamente no quesito história), ela conquista facilmente para os amantes de investigação e de Graphic Novels. Baseada muito no Point-and-Click para navegar por entre os cenários e para conversar com as pessoas, além de encontrar puzzles escondidos, quando entramos na parte de resolver puzzles a jogabilidade fica mais diferenciada, desde somente a adição de resultados escritos em números ou letras com a stylus, até mover objetos e outras coisas mais para resolver algum puzzle mais físico.

E os puzzles que mais se destacam são os que ficam localizados no menu de opções, que são mais difíceis de se solucionar, levando basicamente o game inteiro para resolver. E quando resolvidos, alguns bônus são adquiridos, como a capacidade de conseguir moedas com mais facilidade, ou ganhar mais puzzles inéditos na opção “Extras” no menu principal. E se você quiser revisar outro puzzle ou compartilhar com seus amigos algum puzzle que achou interessante, é só acessar a lista de puzzles já feitos que lá você possa rever todos os que você já encontrou e solucionou com êxito. Depois de tudo isso, para situar o jogador diante todos os mistérios e acontecimentos do jogo, também é possível rever os objetivos dados, para que o gamer nunca se perca e fique dando voltas sem rumo pela vila.

Resumindo: a jogabilidade de professor layton é muito bem construída e de fácil entendimento. O único problema da jogabilidade (e que felizmente foi corrigida nos outros jogos) é que quando você clica em um personagem para conversar com ele, sempre aparece o símbolo de “!”, o que leva a crer que sempre este personagem irá dizer um puzzle novo, quando na verdade não é, o que confunde um pouco o jogador na hora de saber se o povo somente quer conversar sobre algo, ou realmente te dar um puzzle. Outro erro vacilante neste game é a HUD um tanto fraca estéticamente, e sem tantas opções, como por exemplo o bloco de notas, que é basicamente inexistente em certos puzzles. Mas como disse anteriormente, isto foi corrigido e agora você não precisa ficar rondando a cidade toda tentando saber o que cada pessoa da vila quer te dar, se é uma boa conversa, ou um puzzle valioso.

 

Trilha Sonora:

A trilha sonora de Curious Village mesmo sendo tímida ao início, ela convence e conquista com facilidade, adequando o game a sua época. E mesmo a cidade em que todo o jogo se passa sendo fictícia, você acredita que ela existe por conta da trilha sonora, envolvendo o jogador na antiga Inglaterra. Mas ao mesmo ponto em que ela é cativamente, é também repetitiva, somente variando de estilo quando você entra em uma nova área. Até mesmo a música que toca no menu principal é um tanto enjoativa e repetitiva, o que acaba influenciando na própria música de resolver puzzles, que é a mesma música, mas com tempo mais devagar e mais simples, lembrando uma canção de ninar.

Dominada pela viola – instrumento parecido com o violino, porém maior e com um som um tanto mais grave – e o acordeom, mesmo com tanta repetição é impossível não gostar do estilo musical de Professor Layton, que mostra toda a sua personalidade e carisma no vídeo abaixo (mesmo ela não sendo a música oficial, consegue representar toda a atmosfera de Layton de uma maneira muito bonita também):

O estilo musical de Professor Layton vai melhorando conforme vai ganhando mais jogos, mas sem o estopim de Curious Village, não existiria a trilha sonora tão marcante da franquia.

 

Level Design:

O level design está aqui não somente pelo fato de ter criado uma vila muito bonita e misteriosa, mas sim para dar todo o crédito aos puzzles. Mesmo a arte dos puzzles ainda não sendo muito boa, melhorando a estética dos desafios conforme mais jogos da franquia foram sendo lançados, eles são engenhosos do mesmo jeito. Muitos deles possuem pegadinhas, mas a experiência com a franquia sempre te dará uma desconfiança quando o puzzle parecer fácil demais. E para os iniciantes da franquia, não desanimem: até mesmo os mais experientes com o jogo são surpreendidos com alguns puzzles, fazendo você se sentir ora muito esperto por ter resolvido de primeira, ora muito estúpido por não ter visto o resultado geralmente óbvio antes de ter gastado tantas moedas com dicas.

E para aqueles que tentam não resolver muitos puzzles, um aviso: sempre irá aparecer alguém que irá te barrar até que você tenha o número de puzzles que ele pedir, então resolva o máximo de puzzles que encontrar para não haver problemas. Isso além de te ajudar bastante nessas horas, também te dará mais picarats (pontos que te dão mais conteúdos extras pós-jogo). E se você prosseguiu demais na história e houve algum puzzle que você não encontrou e que não pode ser mais encontrado, o puzzle vai para a casa dos puzzles perdidos, e lá poderá acessar e fazer qualquer puzzle que não tem mais como ser visto. Tudo o que falei agora é produto de um excelente level design, instigando o jogador a sempre encontrar mais puzzles, forçando-o de maneira indireta a utilizar sua massa cinzenta para resolver problemas. E são ao todo 135 puzzles, número que para qualquer outro jogo é algo surreal (e o número só aumenta a cada continuação).

 

Concept Art:

O design de personagens de Professor Layton é brilhantemente simples, caricato, carismático, e acima de tudo, eficiente de se transparecer emoções, idéias e trejeitos. E mesmo sendo um jogo originalmente japonês, a estética japonesa para desenhos é quase inexistente, somente transparecendo mais nas personagens femininas, com olhos maiores que o normal. Mas tirando elas, o estilo dos desenhos é muito ocidental, puxando sempre para o caricato. Somente os personagens principais é que são menos caricaturados (quem diria que olhos tão simples com os de Hershel Layton iriam mostrar com tanta vivacidade o seu intelecto e cavalheirismo, e o estilo de Luke Triton lembra um pouco o de Astro Boy).

O concept da vila também é muito convincente e se adéqua com facilidade ao estilo dos personagens (com uma paleta de cores bem voltada para as cores laranja e marrom, remetendo antiguidade), ainda mais pela torre central, que é totalmente contra as leis da física, mas é horripilantemente estilizada. Os personagens secundários também são muito estilizados e caricatos, deixando a história mais leve e divertida. Somente o concept dos puzzles é que ainda são um pouco crus, somente mostrando o que o puzzle faz e nada mais, mas isso vem sido corrigido nos outros jogos, e agora os puzzles são mais artísticas que o próprio cenário. Os artistas desse game são excepcionais, e quem gosta de uma boa arte no game, Curious Village é a escolha certa.

 

Conclusão:

Professor Layton and the Curious Village é um game fenomenal. Mesmo tendo os seus deslizes, é o primeiro jogo da franquia, e com o tempo as suas seqüências foram melhorando cada vez mais, então é prova de que a Level 5 sabe o que é preciso para agradar ao público. sua história cativante, seus personagens, sua trilha sonora belíssima e acima de tudo, seus puzzles criativos são todos os princípios básicos para você que gosta de investigação jogar. Aconselhável para qualquer idade que goste de uma boa leitura e de bons puzzles.

Nota final: 8.0

Comentários (3)

por em 22/01/12 (23:00)
Esse jogo é simplesmente sensacional.
por em 22/01/12 (12:02)
adoro jogos assim
quanto melhor a história mais eu gosto
tem para baixar ak no site??
por em 22/01/12 (15:50)
tem sim dude, tem todos os jogos da franquia postados aqui