
Muitos questionam se videogames podem ser considerados como obras de arte, pois já temos um público que afirma que os games atuais estão ficando cada vez mais artísticos, o que indica de maneira indubitável que muitas franquias do mundo gamer já podem abrir a oitava colocação dentre as sete maneiras artísticas de se expressar.
E um dos jogos que sem sombra de dúvidas já são chamados de arte é Okami, que revolucionou o concept art gamer e até hoje é aclamado pelo público por sua beleza. Infelizmente na época em que foi lançado ele não vendeu muitas cópias, mas depois a Capcom relançou para Nintendo Wii junto com a Ready at Dawn, o game voltou ao público de forma arrebatadora, tão arrebatadora que ganhou uma continuação para Nintendo DS, Okamiden. Confira mais detalhadamente os aspectos bons e ruins deste magnífico game.
História:

Além de ter uma história bastante cativante – escrita por Yurinori Kitajima – você não precisa ter jogado Okami para estar ciente de tudo o que acontece em Okamiden, pois logo de inicio o game nos dá um prólogo de tudo o que ocorreu a 100 anos atrás, quando Amaterasu, a Deusa do Sol venceu o terrível dragão Orochi. Logo entramos na pele de Chibiterasu, filha de Amaterasu, cuja incumbência agora é substituir o lugar da mãe e ajudar o Japão contra terríveis ameaças.
Existem vários personagens secundários que ajudarão Chibiterasu em sua aventura, e o que mais tem destaque é o filho de Suzano, Kuni, que deseja ser um grande guerreiro como seu pai um dia foi. Cada personagem que acompanha Chibi tem habilidades especiais que o ajudarão a passar para áreas novas e desvendar itens e collectables secretos, e cada um tem uma história mais divertida e/ou comovente que a outra.

A única parte relativamente chata da história é que é preciso ler muito durante o jogo inteiro. No começo é até interessante, pois mostra que o jogo não foi construído somente por gráficos e ação, que teve certo cuidado no enredo, mas existem horas em que não precisavam ter diálogos tão extensos. Ainda mais para um portátil como o Nintendo DS que não permite tanta liberdade para se colocar faixas de áudio com os diálogos, então a leitura fica até certo ponto maçante.
Jogabilidade:

Mesmo não sendo a melhor jogabilidade vista para o portátil, ela cumpre o seu papel. Diante de tantos os jogos de aventura com ação que existem por ai e que possuem uma jogabilidade truncada (como a de Transformers The Dark Side of the Moon), Okamiden consegue dar ritmo e dinamismo às batalhas, tudo pelo pincel mágico. Com ele você pinta o ambiente e serve tanto para ajudar os outros como até para matar demônios. Vários Power ups são desbloqueados durante o jogo por meio dos filhotes dos outros deuses, e com eles várias habilidades vão sendo adquiridas para fazer do mundo o que bem entender, desde ajudar cerejeiras a florescer como até implantar bombas com fogos de artifício para liberar passagens.
Outro fator que favoreceu o game é o fato de sempre quando somos atacados por inimigos, aparece um ringue de batalha, fazendo com que o game fique somente focado por enquanto na batalha, evitando os famosos slowdowns por ter que ficar carregando várias coisas ao mesmo tempo em meio ao cenário. Mas o sistema de batalha não é impecável, e os empecilhos aparecem como a demora existente para acionar o pincel mágico, como também os problemas do sistema de esquiva que não servem para nada. Até mesmo a locomoção de Chibi pode ser um tanto enjoada em meio ao cenário cheio de paredes invisíveis, mas não é nada que realmente possa incomodar.
Gráficos:

Os gráficos de Okamiden são esplêndidos, um dos gráficos mais belos feitos para DS. Tudo é muito bem modelado, desde os cenários – que são bastante extensos por sinal – até os personagens, nunca parecendo pixelzado ou quadrado demais. O grande destaque fica para os chefões, que são enormes e enchem a tela com sua beleza (ou monstruosidade, se preferir). Os efeitos também são de encher os olhos, nos dando a cada minuto um novo show de cores.
O único defeito que incomoda bastante é o fato do jogo ser pesado demais para certas coisas. Só no fato de andar com Chibi pelo cenário já é possível presenciar quedas de quadro por segundo irritantes, mostrando que mesmo ele sendo muito bem modelado e muito bem colorido, a falta de processamento do Nintendo DS cobra bastante do jogo. Mas retirando essa parte, Okamiden não deixa de ser um jogo estonteante e admirável, e para quem realmente gosta de arte existem partes do jogo em que são de cair o queixo.
Trilha Sonora:
Composta por Rei Kondo, as músicas de Okamiden são fabulosas e muito bem orquestradas. Todas as sinfonias são tocadas com instrumentos típicos da cultura japonesa, dando mais vida ao game a cada nova área descoberta. As músicas temas são muito inspiradas, e a cada cerejeira florescida um amontoado de acordes belíssimos sai das caixas de som do DS, provando que o portátil tem muita capacidade de ter uma trilha sonora de altíssima qualidade.
Infelizmente o que estraga são os efeitos sonoros das vozes dos personagens. Tudo bem que a sonoplastia das outras coisas é muito boa, mas as vozes dos personagens chegam a irritar. Eles pegaram o mesmo recurso aplicado em Banjo & Kazooie de Nintendo 64 e colocaram em Okamiden, mas naquela época isso era visto como algo inovador, hoje é visto como algo irritante. Mesmo assim, não é tão irritante a ponto de você abandonar o jogo.
Dificuldade:
Mesmo com tantas beneficies, Okamiden não deixa de ter seus pontos fracos. Um deles é a dificuldade, inexistente. Dificilmente você irá morrer nesse jogo, pois os puzzles são muito fáceis, os inimigos quase não são resistentes e muito menos reagem a seus golpes e o número de itens que te ajudam a repor energia é tão vasto e tão barato que a tela de Game Over raramente irá aparecer. Outra coisa que peca é a variedade de inimigos, que mesmo tendo um bom número, eles aparecem tantas vezes que é impossível não se enjoar deles. A duração do game pode até ser algo desafiador de inicio – 25 horas de jogatina – mas toda essa repetição de inimigos e a facilidade de se conseguir as coisas enjoa. Só alguns collectables que são realmente desafiadores de serem pegos.
Conclusão:
Okamiden é a prova conclusiva de que o DS realmente é um bom console para jogos de aventura. Infelizmente este foi o último suspiro do portátil no ramo dos grandes lançamentos, dando espaço agora para o Nintendo 3DS, mas o bom é que o DS não caiu no esquecimento como muitos outros consoles caem, fechando sua carreira com chave de ouro com esse belíssimo jogo. Seus gráficos, sua jogabilidade, sua trilha sonora belíssima nos dão esse adeus com muito louvor, torcendo para que retornem outra hora em outro console. Claro que Okamiden não foi o ultimo jogo lançado, mas é sem sombra de dúvida um que vai ficar guardado na memória para sempre.

