
Dúvidas quanto a um jogo de ação para o Wii podendo ser chamado de hardcore? Se perguntar algum palpite para alguém, com certeza irão te indicar Disaster Day of Crisis, um jogo de ação desenvolvido pela Monolith Soft e distribuído pela Nintendo. O jogo é de ação e mistura elementos de sobrevivência, possuindo combates com armas e corpo-a-corpo, salvamento de pessoas, perseguições e muita ação que você confere agora nessa análise.
História:
A história se passa em um momento conturbado do planeta, onde uma série de desastres começaram a acontecer uma após o outro envolvendo tsunamis, erupções vulcânicas, terremotos e tempestades causando medo e pânico nas pessoas. Em meio a tudo isso, Ray (personagem principal), a qual pertence a elite Rescue Task Force e que um dia desses foi fazer uma operação em um vulcão localizado na América do Sul. Mas em meio a esse episódio, um acidente envolvendo um helicóptero e explosões vulcânicas afastam Ray e seu melhor amigo Steve do grupo, eis que após uma série de outros acidentes, Steve escorrega para a beira da cratera do vulcão, mas Ray não consegue socorrê-lo, e o seu amigo acaba caindo nas profundezas de um rio de lava.
Anos mais tarde, Ray é convocado para uma nova missão, onde o seu objetivo é parar uma força terrorista que se aproveita dos desastres para criarem uma força nuclear, junto com eles está Lisa, que é ninguém menos que a irmã de Steve e que não confia em Ray, por acreditar que ele tenha sido o responsável pela morte do seu irmão. Mas ao descobrir os planos dos terroristas, ela passa a confiar no nosso herói e acaba virando refém dos bandidos. Agora cabe a Ray parar os terroristas e salvar a pele de Lisa passando pelos mais variados desastres.
Jogabilidade:
O jogo se passa em um ambiente 3D em terceira pessoa, é controlado pelo wiimote + nunchuck, em exceção das fases no carro que são controladas apenas pelo wiimote. O jogador passa por momentos mais conturbados como as fases de combate e por momentos mais calmos, onde é preciso apenas salvar a vida de algumas pessoas, para isso são bem aplicados os movimentos do wiimote, utilizados seja para fazer uma respiração boca a boca ou enfaixar alguma parte do corpo de alguma vítima, e a cada vida salva, o jogador ganha pontos que podem ser trocados por atributos que deixam Ray mais forte como força, foco, etc. Nas fases onde você tem que fugir de alguma catástrofe (ou sobreviver à ela), são fases mais angustiantes e também as mais perigosas, uma vez que a vida de Ray fica ainda mais em risco, pois o excesso de água, fumaça ou cinzas vulcânicas no pulmão de Ray pode matá-lo, e cabe ao jogador saber como administrar estas situações, e se em algum momento você respirou aliviado por ter passado de alguma parte bem difícil, se prepare para algo ainda pior.

As fazes de combate acabam sendo um ponto não tão forte do jogo, que por mais emocionantes que pareçam, acabam se tornando monótonas sejam elas armadas ou corpo-a-corpo. Nos combates armados, a perspectiva passa de 3ª para 1ª pessoa, e tudo que o jogador deve fazer é mirar com o sensor, atirar com o A e recarregar com chacoalhando o nunchuk, não tendo a liberdade de se mover pelo cenário, sendo possível avançar somente depois que os inimigos presentes morrem. Já nos combates corpo-a-corpo a situação fica ainda pior, pois você não tem a liberdade de bater a hora que quiser e onde quiser, tudo depende de uma combinação de botões que devem ser apertados e movimentos que devem ser feitos na hora em que o jogo pedir, também tirando mais da liberdade do jogador. Ao matar os inimigos, você também ganha pontos, dos quais servem para serem trocados por armas.
Mas se existem fazes que são emocionantes mesmo são as fazes do carro. Nestas fases você desconecta o nunchuck e controla o carro com o wiimote na posição horizontal, e para conduzir o carro, todo cuidado é pouco na hora de fazer as curvas, principalmente nas mais fechadas onde virar o controle demais ou de menos pode acabar tendo um resultado infeliz, sendo necessário achar um meio-termo para fazer as curvas com perfeição. Além disso, é necessário também desviar de certos obstáculos e você jamais deve se atrasar, uma vez que estas fases incluem na maioria dos casos, fugas ou perseguições, então se você ficar muito para trás, é game over.

Dificuldade:
Por ser um jogo de sobrevivência, você já deve imaginar ser daqueles jogos do cão chupando manga, mas na verdade, Disaster: Day of Crisis não possui um alto grau de dificuldade comparado a outros jogos do seu gênero. As fases exigem muito mais da ação do jogador e do que da resolução de puzzles (que, aliás, são bem poucos), pois a dificuldade do jogo se encontra nos momentos em que Ray deve manter-se vivo, seja para fugir de uma erupção ou enquanto luta contra os terroristas, e a dificuldade fica por conta de passar destas partes sem nem mesmo ser necessário procurar um detonado (eu mesmo zerei o jogo sem procurar por um), pois você sabe aonde ir e o que fazer, só que às vezes é bem difícil de conseguir isso.
No jogo é possível morrer de quatro jeitos: Perdendo toda a sua saúde, enchendo o pulmão de água, fumaça ou cinzas, quando falha em alguma missão, ou de fome. Sim de fome! Há um medidor abaixo do que mede a saúde de Ray, quando este chega ao fim, você começa a perder sua saúde lentamente, e esta questão da fome é até lógica uma vez que estamos em meio a várias catástrofes, porém não chega a ser algo muito ameaçador uma vez em que a coisa mais fácil que se tem, e achar comida nestes desastres (Ray quebra um lixeira e acha um hambúrguer, por exemplo), e que na minha opinião, as comidas deveriam ser mais escassas para dar ao jogo uma tom de mais sobrevivência que ação. Em meio a lixeiras e caixas, também é possível encontrar munições e itens que melhoram a saúde.

Gráficos:
Jogos de ação tendem a ter gráficos bons, no caso de Disaster não é diferente. Os gráficos são bons comparados ao potencial do Wii, mas ainda sim apresenta algumas falhas, como ver a cabeça de Ray entrando na parede ou a água não respingar no corpo dos personagens, mas nada que tire muito do brilho do jogo.
Sons e Trilha Sonora:
Disaster Day of Crisis não é constantemente ambientado por músicas ao longo das fases, a não ser nos momentos finais do jogo e em casos de maior “desespero” onde o jogo passa a ser ambientado por músicas de puro suspense, orquestradas e cantaroladas para causar mais desespero no jogador. Os sons são mais realísticos e as falas não apresentam falhas, sendo na minha opinião, um jogo até muito bem dublado, um ponto que para mim foi de muita satisfação no jogo.
Conclusão:
Disaster: Day of Crisis é um jogo de ação/sobrevivência que como já dito, serve como uma das primeiras referências de jogos mais hardcores para o Wii, e por mais que às vezes ele possa parecer repetitivo, certos episódios chegam a quebrar esta característica dando mais vontade de continuar o jogo. Mas infelizmente, ao zerá-lo, você só tem duas opções: ou joga de novo, ou o guarda no fundo da gaveta, uma vez que as ausências de modos extras e online no jogo diminuem a sua vida útil, tendo como recompensa apenas alguns vídeos, imagens e custominizações ao terminá-lo, mas ainda sim continua sendo uma ótima pedida para o Nintendo Wii (mas lembre-se que este jogo não foi lançado oficialmente nas Américas).
Jogo: Disaster: Day of Crisis
Plataforma: Nintendo Wii
Desenvolvedora: Monolith Soft
Distribuidora: Nintendo
Gênero: Ação/Sobrevivência
Nota: 8,5
Trailer do jogo (em japonês)