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Alan Wake (Xbox 360) - Análise

Por: em 10/07/2011 - 01:08
799 VisualizaçõesComentar (12)

Jogos de Survivor Horror estão ficando cada vez mais escassos no mercado atual, com apenas pouco títulos nos quais podemos contar em alguns dedos das mãos, e o público que antes era vidrado nesse estilo acabou se perdendo em meio aos modismos atuais, com a gama infindável de shooters disponíveis por ai com a mesma proposta de sempre: tudo que estiver vivo, mate.

Mas ainda existem vivalmas dispostas a contornar essa moda, lançando jogos que até mesmo em questões de multiplayer as opções são quase inexistentes, tendo-se em conta que o que mais vende no mercado de jogos é o entretenimento com demais jogadores online. E o melhor é que tais jogos ainda dão certo, como o caso de Alan Wake, que mesmo sendo um jogo todo single player e com uma trama linear, ele consegue propor muita diversão e diversos sustos, dignos de um bom jogo de suspense. Confira a análise a seguir e descubra o porquê esse jogo cativa tanto na história quanto em mecânica.

 

História:

É um dos pontos mais altos de Alan Wake, tanto em questão de imersão à narrativa quanto de roteiro. Sobre a imersão, o game trabalha bem em pontos que muitos desenvolvedores deixariam de lado, substituindo por longas e chatas cutscenes, mas a Remedy Entertainment foi sábia e conseguiu dar ao título ainda mais emoção ao implementar partes jogáveis aonde não precisavam, mas que acabam desempenhando um papel fundamental em questão de imersão de personagem, para que o jogador se sinta realmente o escritor de Best-Sellers Alan Wake.

E sobre a narrativa: você entra na pele de Alan Wake, um escritor famoso que agora se vê sem criatividade para escrever, então sua mulher, Alice, resolve levá-lo para uma cidadezinha pacata chamada Bright Falls, aonde ele poderia descansar um pouco e assim esfriar a cabeça para pensar em seu próximo livro. Até que repentinamente Alice desaparece do chalé que alugavam, e Alan agora tem enfrentar a perigosa e misteriosa missão de encontrar sua esposa no meio de uma cidade onde poucas pessoas são confiáveis.

Somente com essa sinopse já podemos ver que mesmo reaproveitando a história típica de “resgatar a mulher que ama”, o jogo consegue nos dar um ar bastante misterioso, onde o desaparecimento de Alice é um quebra cabeça onde as peças estão dispersas por toda uma cidade. E quanto mais o escritor tenta procurar sua esposa, mais segredos e mais acontecimentos perturbadores vão ocorrendo, deixando o game com um nível de tensão muito bom.

Claro que existe alguns buracos de narrativa um tanto irritantes que vão aparecendo ao longo do game, mas como as DLCs disponíveis não foram testadas em conjunto com o jogo original, não posso ficar afirmando que Alan Wake não possui uma história concisa. Digamos que ela nos dá muitos buracos que seriam tapados com uma seqüência do game, que mesmo ainda incerta seria muito bem vinda.

 

Gráficos:

Os gráficos de Alan Wake são excepcionais em questão de construção de cenários e geografia. Mesmo com o game não sendo analisado com uma imagem em HD (e sim foi testado com um cabo vídeo componente), é impossível não notar o belíssimo trabalho gráfico feito nos cenários. Retirando as partes repetitivas onde você precisa correr em meio a uma floresta fechada pela neblina, os armazéns, fazendas, postos de vigia, ferro-velhos, casas e uma gama gigantesca de cenários, amplos ou diminutos, impressionam com o tamanho realismo e verossimilhança, nos dando a impressão de estarmos realmente numa cidade pequena do interior. As partes diurnas do game são excelentes para se embebedar com a beleza de Bright Falls.

Mas a beleza dos cenários acaba se contrastando com os personagens em cena. Os inimigos são muito repetitivos, nos dando a impressão de que são todos irmãos gêmeos (esta parte pode até ser ignorada pelo ponto dos inimigos estarem a maior parte do tempo dominados pela Sombra, ou até mesmo escondidos nas partes obscuras das florestas densas, mas isso não justifica por completo a repetição tão descarada de personagens).

Outro ponto negativo que vale muito a pena ressaltar é a animação. Ao contrário das animações de cena em tempo real, que são assustadoras e muito bem feitas, as animações dos personagens encontradas nas cutscenes como leitura labial, olhos sem vida olhando para o nada e braços se comportando de maneira artificial se mostram irritantes e mal produzidas, tirando muito do brilho que Alan Wake poderia ter por causa de sua trama bem escrita e da trilha sonora excepcional (outro ponto no qual falarei mais adiante).

Muitas das cutscenes se tivessem sido bem animadas, dariam de mil a zero em muitos filmes de Hollywood, mas o empenho não foi tão grande e as cenas acabam soando sem vida, como se estivéssemos vendo bonecos se balançando uns para os outros com o som das vozes dessincronizado (na verdade são bonecos, mas isso tudo é resolvido com uma boa animação, como podemos ver em Castlevania Lords of Shadow e L.A. Noire). Se Alan Wake não tivesse uma história realmente envolvente, o jogo não estaria muito bem calçado se dependêssemos somente da animação.

 

Trilha Sonora:

Outra parte impecável do jogo e digna de premiações. Remetendo bastante o estilo de mistério, as músicas de fundo são belíssimas, e as músicas tocadas nos rádios encontrados no jogo e no final de cada episódio também nos fazem submergir ainda mais na cidade de Bright Falls, com um estilo country mais moderno e “clean”. Até mesmo uma das bandas cuja música é tocada no game fez um clipe musical todo inspirado na história, confira:

E o mais impressionante é que a trilha sonora de Alan Wake não se limita a truques clichês de filmes de terror ou suspense (o costumeiro “PAN!” quando alguma coisa assustadora acaba de acontecer), mas sim enriquece a narrativa com melodias que agradam e ao mesmo tempo nos sugere o clima tenso que se seguirá por toda a jogatina. Pois a questão não é somente dar sustos repentinos com simples notas musicais, mas sim surpreender o jogador com músicas que realmente tiram o nosso fôlego com o seu clima, sugerindo ao mesmo tempo com sutileza que você deve se preocupar bastante com o que pode sair da escuridão a sua volta.

 

Jogabilidade:

A jogabilidade de Alan Wake é bastante simples e intuitiva, intimidando um pouco o jogador de inicio, mas nada que um bom tempo jogando para aprender tudo o que precisa ser feito. A pouca variedade de armas limita o jogador a ter mais opções de combate contra os inimigos, mas esta situação já é proposital (como na maioria dos jogos de suspense) para que o gamer se sinta cada vez mais impotente contra a ameaça cada vez mais forte.

Outro fator que também serviu para dar ao jogo mais realismo e mais simplicidade são as informações que aparecem na tela (como a barra de life, a arma que está usando, quantas balas ainda restam, a mira da arma sendo a lanterna, etc.). Tudo aparece na tela de uma forma muito natural e orgânica, como por exemplo, o tempo em que é preciso focar a lanterna para retirar a Sombra dos inimigos, ou o próprio sistema de esquiva. Até o cansaço do personagem foi utilizado para dar mais realismo, utilizando a fadiga quando se corre demais. Todos esses fatores contribuem para que Alan Wake seja um jogo bastante verossímil e sem poluição visual, mostrando tudo o que precisa ser mostrado de forma bastante básica, mas agradável.

 

Dificuldade:

Existem vários níveis de dificuldade, mas mesmo com essas variações o próprio jogo em si tem uma falta de clímax. O final do jogo original não consegue ser um destaque máximo (não estou me referindo as cutscenes, e sim com as partes jogáveis do último episódio), pois até mesmo o próprio inimigo em si não consegue nos dar a idéia de grandiosidade suprema. Não estou querendo dizer que a sombra seja algo não muito intimidador, muito pelo contrário, mas o clímax deixou de existir em muitas partes. O jogo dá a nítida impressão de ter mais episódios, mas quando você realmente joga percebe que são tão poucos e que a verdadeira ameaça não foi tão ameaçadora.

Infelizmente o jogo é curto, tendo no máximo umas 10 horas de jogatina, e Alan Wake é o tipo de jogo que se pede mais horas para elaborar a história e os demais personagens. Prometo não dar spoilers, mas para quem jogou a versão original sem as DLCs sabe muito bem o quanto o final terminou sem muito sentido, nos dando aquela sensação de “já acabou?”, ou “eu quero Alan Wake 2 agora!”.

Tirando todas essas incongruências de clímax, o jogo em si possui um nível de dificuldade bem equilibrado e não existem as temidas “partes impossíveis de passar”, é só organizar uma boa estratégia, ter sempre sinalizadores e granadas de luz à mão e procurar mirar na cabeça dos inimigos o máximo que puder (e saber esquivar nas horas certas, pois nem sempre uma boa quantidade de armas e munição te salvará).

 

Conclusão:

Alan Wake cumpre o que promete, e mesmo com um grande atraso na produção o jogo fez muita gente esperar, jogar e dizer que é sim um ótimo jogo de suspense com shooter. Seu terror psicológico, sua história bem escrita e seus cenários bem modelados fazem deste game uma experiência inesquecível, dando bastante sustos, mas também nos comovendo com a história do Sr. Wake e das reviravoltas que acontecem durante a sua estadia em Bright Falls. É sem dúvida um dos melhores exclusivos feitos para o Xbox 360, e é um dos jogos que fazem muitos comprarem o console somente para jogá-lo (e eu estou nesse barco).

Nota Final: 8.5

Comentários (12)

por em 18/01/12 (19:44)
Ja joguei na casa das minhas primas e é muito massa, sem falar do total realismo! ( que vem só na hora errada) como quando você ta sem munição ou bateria pra lanterna e da fadiga na hora de dar no pé. Mas não deixa de ser um bom jogo, e se você tem original e comprou no brasil, vera que o manual é em português e conta a história dos personagens. Eu acho bem comovente a história do Alan, Que escrevia seu pesadelos, fica sem sem inspiração e vai a uma cidade um seus pesadelos se tornam realidade.
por em 11/07/11 (04:42)
kra voce escreve muito bem e faz um trabalho otimo ai uma dica pra voce fazer umas Analises: Silent Hill ( começa do 1 pro pessoal nao perde a cabeça kkk ) e Fatal Frame esses sao 2 otimos jogos q zere a franquia intera e compensa muito voce fazer uma analise e tipo só nao faço pq c eu fizer sei q nao vai fica bom >.< vlw bro \o
por em 11/07/11 (11:45)
brigadão dude o/
por em 10/07/11 (17:31)
análise ótima bro =D, tava muito curioso sobre esse jogo, e agora toh afim de jogar ele, parece ser um ótimo jogo
por em 10/07/11 (17:39)
é um excelente jogo, ótimo pra quem gosta de uma história envolvente =)
por em 10/07/11 (12:11)
Eu queria apagar minha memória pra sentir a mesma coisa que eu senti jogando esse game pela primeira vez. É uma sensação inexplicável. Ótima análise, Tars!
por em 10/07/11 (01:57)
Ótima Análise Tarsenus, Parabéns !
Tbm nem preciso dizer mais nada, tudo já foi dito .
por em 10/07/11 (01:27)
O Ryuu falo tudo...

Este é com certeza um dos poucos games de terror com moral nesta geração (Dead Space continua sendo o unico que eu realmente considero Survivor horror hoje em dia)....
por em 10/07/11 (01:29)
esse jogo nem chega a ser terror, é mais suspense com um pouco de tensidão
por em 10/07/11 (01:52)
Quando eu conseguir um 360, este jogo vai estar na minha coleção... com certeza.....
por em 10/07/11 (13:10)
já viu a edição de colecionador? é linda demais, pena que não tenho money pra essas coisas =( mas o jogo é excelente emsmo, eu compraria um xbox só para jogá-lo novamente
por em 10/07/11 (01:22)
Pra mim o que faz uma analise ser boa, é quando ressaltam os pros e contras.
E essa foi umas delas.
Parabéns Tarsenus! Ótimo Trabalho.