
Desde que Pokémon surgiu em 1995 a febre por capturar todos os monstrinhos tomou conta do Japão e do resto do mundo em Pokémon Red/Green. Depois do grande sucesso do jogo para Game Boy, vieram álbuns de figurinhas, animes (que agora contam com mais de 600 episódios e 13 filmes pelo que eu já consegui contar), miniaturas, jogos de tabuleiro e de cartas, enfim, uma gama incrível de mídias que consagraram Pokémon como uma das franquias mais bem sucedidas das terras orientais.
E como toda franquia que se preze, o sucesso fez com que os produtores passassem a lançar mais jogos da série, e com eles vieram mais pokémons colecionáveis, aumentando cada vez mais a possibilidades de estratégia em batalhas contra seus amigos, mais ataques diferentes e é claro, mais itens para equipar seus bichinhos.
Agora são ao todo 652 pokémons (um número bastante elevado, eu sei), tornando quase impossível cumprir o jargão mais conhecido da franquia, que é o “temos que pegar todos eles!”. E o que fez adicionar mais 156 pokémons a lista que já era grande foi Pokémon Black/White, que nos apresenta a quinta geração de monstros de bolso em seu último mergulho no Nintendo DS. Veja agora a análise completa sobre esse incrível jogo:
Jogabilidade:
A jogatina continua a boa e velha de sempre, é claro que com algumas diferenças que são muito boas – e outras, lamentáveis. Com a vinda do Nintendo 3DS, Pokémon Black/White investe em ângulos de câmera diversificados, dando mais profundidade nos cenários 3D que já estavam bem visíveis em HeartGold/Soulsilver, e que agora possuem muito mais destaque. Podemos ver claramente tal mudança em Castelia City, onde tudo é em 3D.

Já a parte lamentável está nas mudanças um tanto drásticas se formos comparar este jogo com Heartgold/Soulsilver. A Pokewalker, por exemplo, que foi o grande destaque do remake de Gold/Silver e o maior incentivador do público comprar o jogo original, agora não existe em Black/White, minando toda a possibilidade de ampliar a jogatina para além dos consoles de bolso e ir para o pedômetro (a pokewalker nada mais é do que um pedômetro onde você guarda seu Pokémon e este pode ganhar experiência e itens exclusivos à medida que anda).
Outros fatores pequenos, mas importantes e que foram mudados foi o menu de opções, que voltou a ser escondido e acessado pelo botão X ao invés de ter um acesso mais fácil e intuitivo na Touch Screen. A opção de andar sem ficar pressionando o botão B (havia um atalho também na Touch Screen em HG/SS) agora não existe mais, e temos que voltar ao tempo em que ficávamos com o dedo vermelho e cansado de tanto pressionar o mesmo botão tantas vezes.

E uma das coisas mais notórias é a do seu Pokémon não caminhar mais atrás do treinador, o que acabou com muita da diversão que este jogo poderia ter. Foram tantos os retornos as origens (pelo menos até as versões Diamond/Pearl/Platinum), que fica a sensação de que as melhorias de HG/SS não existiram, o que pode ser um baque pra muitos que se acostumaram com o título.
Mas retirando todas as pedras do caminho, Black/White consegue ser muito bom na jogabilidade, como por exemplo, as habilidades que você consegue durante sua jornada, ou se preferir, as TMs e HMs. Elas não acabam quando você as aplica em algum Pokémon, o que melhora bastante quando quiser usar mais daquele ataque em outros monstrinhos de mesmo tipo.

Outras coisas estão mais salientes como a mudança das estações, que interage melhor a questão de capturar pokémons em épocas diferentes e na de bloquear ou desbloquear caminhos secretos com as condições climáticas, e da estratégia pedra, papel e tesoura, ou nesse caso: fogo, água e planta, ajudando os leigos no assunto a formar estratagemas mais precisos contra seus oponentes.
Gráficos:

É o ponto alto do jogo. É inegável o tamanho upgrade que os produtores de Black/White fizeram na questão gráfica. Os cenários estão mais profundos e coloridos, as casas, prédios, cavernas e ginásios estão muito mais polidos e estilosos, os personagens mesmo em sprites estão mais bem desenhados e com mais animações, e as estações do ano, que como falei anteriormente fizeram um grande diferencial de concept art, e cada lugar e rota muda conforme as condições climáticas.
Mas o grande diferencial nos gráficos está nas batalhas. Aproveitando a moda 3D e do próprio Nintendo 3DS, ao entrar no modo batalha com algum treinador ou Pokémon selvagem, o ambiente está todo em 3D e com muito mais profundidade, e os pokémons agora se movimentam o tempo todo, desistindo finalmente da época em que os movimentos deles eram somente deformidades nos sprites. Tudo isso deu as batalhas muito mais vida e ritmo, e a ação dos golpes estão muito mais rápidas, tirando um pouco da monotonia das batalhas por turnos que víamos e que acabavam – possivelmente – afastando jogadores que gostavam de batalhas mais rápidas e/ou em tempo real. 
Não podemos esquecer também da comunicação por C-Gear (a nova Pokegear), durante as cenas não interativas do jogo. Ela faz uso de comunicação por vídeo, e nela podemos ver um pouco dos personagens conversando. Mesmo essa mudança não sendo lá muito significativa, ela deu principalmente ao protagonista muito mais vida e personalidade, se afastando um pouco daquele estilo insondável e de pouquíssimas palavras vistos nos outros jogos. Coisas assim fazem com que o enredo fique cada vez melhor (explicarei isso um pouco mais no quesito História).
Trilha Sonora:
Ao contrário das trilhas sonoras feitas pros outros games de Pokémon, a de B/W é surpreendente. Finalmente o jogo abandonou as batidas polifônicas e avançou para um pouco de música eletrônica (digamos assim), pois as batidas e ritmos encontrados nesse jogo são bastantes semelhantes ao estilo. Até quando seu Pokémon está quase desmaiando durante as batalhas, a música substitui o irritante alarme para uma batida que entra junto com uma música tensa e muito sonora.
As músicas que tocam durante sua jornada são incríveis, com surpresas melodiosas e muito criativas, combinando com o local. As músicas temas dos personagens principais também são o destaque, ressaltando toda a personalidade do mesmo. A única que ainda se manteve parecida com a original é a do centro Pokémon, que agora se fundiu com a loja onde você sempre compra pokébolas, poções e antídotos. Finalmente fizeram um título em que é pecado desligar o volume para poupar bateria (as músicas são tão bonitas que você aceita perder mais energia do portátil para ouvi-las).
História:

Um jovem de 10 a 12 anos de idade parte de sua casa para se tornar um mestre Pokémon, mas para isso ele precisa vencer 8 ginásios, a Liga e também derrubar uma sociedade do mal que deseja dominar o mundo usando os Pokémons. Essa história te lembra alguma coisa? Talvez porque este enredo já está sendo usado faz 15 anos nos jogos da série e segue inalterado desde então. E Black/White segue essa mesma premissa? Sim, mas com algumas mudanças já necessárias (finalmente!).
Bem, a nova história é a de um garoto/garota de 13 anos que... parte de sua casa para se tornar um mestre Pokémon, mas para isso ele(a) precisa vencer os 8 ginásios da região Unova, a Liga e também derrubar uma sociedade do mal que deseja dominar o mundo... sem os Pokémons como arma. É, dessa vez o objetivo da nova sociedade (intitulada Team Plasma) é o de retirar o vínculo entre treinadores e Pokémons e formar um mundo onde não existem mais batalhas ou amizades entre os dois. Por mais que esse objetivo seja estranho de início, pelo menos temos uma história um pouco mais desenvolvida e com diálogos mais interessantes.

Outras mudanças também foram adicionadas, como o novo professor Pokémon, que agora é a professora Juniper, e também o seu rival, que agora são dois amigos (Cheren e Bianca), para dar mais ênfase às novas batalhas por trio, que conseguem dar mais emoção e estratégia do que as batalhas em dupla. Os líderes de ginásio possuem participações mais significativas na história, e um misterioso rapaz chamado N também aparecerá no seu caminho para batalhar e para contar segredos cruciais para a trama.

Os lendários agora são os dragões Reshiram e Zekrom. Não darei nenhum spoiler sobre a história dos dois, descubram vocês mesmos. A única coisa que precisam saber é que os dois são importantes para a história se desenvolver, como Giratina foi em Pokémon Platinum. Mas desde que Arceus apareceu na quarta geração, Reshiram e Zekrom perderam um pouco do poder que poderiam aparentar.
Imersão:
Pokémon é Pokémon. Mesmo com todos os acréscimos e decréscimos de B/W ele ainda tem estampado como logo o nome Pokémon. Qualquer jogo da franquia que você pegue para jogar em seu portátil é quase certo que fique imerso nesse mundo cheio de monstrinhos simpáticos – outros nem tanto – ao longo das 25 horas de jogatina prometidas pela história. Não satisfeito, o game ainda te dá um leque de missões pós jogo incrível e que te dão no mínimo mais 5 ou 10 horas jogando.
Pokémon Black/White é o tipo de jogo onde você aceita de bom grado participar sem descanso a tudo que é proposto. Claro que existem aqueles que depois que zeram o game já o dispensa e parte para outro, mas os determinados a conseguirem todos os bichinhos dirão: vou mais além. Mesmo não tendo um conteúdo tão abrangente quanto HG/SS, B/W não deve em nada nesse quesito.
Concept Art:
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Infelizmente a criatividade vai acabando com o tempo, e exemplos disso são os de grupos musicais, não importando o estilo musical. Grande parte deles acaba não tendo mais criatividade para fazer músicas melodiosas ou com a letra tão profunda quanto aos dos primeiros CDs, e os fãs começam a torcer o nariz para os novos produtos. Agora voltando para Pokémon, os jogos já estão em uma fase onde a criatividade de se criar monstros chegou ao fundo do poço literalmente.
Obviamente existem as exceções, e se eu fosse generalizar tudo aqui nesta análise ela não seria justa. Mas a maioria dos monstrinhos da quinta geração estão horríveis. Uns são esquisitos e não possui nenhuma referência a algum animal, exemplo: as evoluções de Vanillite, cuja primeira parece um sorvete de copinho, a segunda um sorvete com casquinha e a terceira uma banana split, ou as evoluções de Litwick, cuja primeira é uma vela, a segunda uma lamparina e a terceira um lustre. Os Pokémons iniciais também não escapam, e mesmo com muita gente gostando deles, se fizermos uma comparação com os iniciais mais antigos como Charizard, Blastoise e Venusaur, a diferença será absurda.

Ou até mesmo Pokémons cujos animais de inspiração já foram usados, como Sawsbuck, ou Pokémons que são cópias quase idênticas a animais, como Carracosta que é uma tartaruga pintada de azul, e Krokodile, que nada mais é que um crocodilo (meio óbvio, não?). Não preciso nem dizer sobre os três macacos elementares, que além de feios, são fracos e estão em toda parte no game, como se todo mundo gostasse deles.

Reshiram e Zekrom são lendários bem estilosos e não precisam nem ser avaliados, mas existem monstrinhos que dão vergonha ao jogador. A estética funciona bastante para que um Pokémon seja capturado, e sua beleza pode ser utilizada em eventos, e com essa idéia eu te pergunto: você capturaria um Garbodor?
Conclusão:
Pokémon Black White é sem dúvida um grande jogo para Nintendo DS, o último suspiro do portátil para ser mais exato, pois com a vinda do 3DS os jogos mais conhecidos vão deixar de serem lançados para o DS. Algumas coisas frustram bastante, como o sumiço sem explicações de muitas qualidades feitas para HG/SS e o design dos monstros da quinta geração, mas os gráficos, as batalhas em trio, a trilha sonora e a história aperfeiçoaram muitas coisas e elevaram o jogo a outro nível. E mesmo para aqueles que não gostam de Pokémon, este jogo é uma aquisição obrigatória a sua biblioteca gamer.
