
Foi-se o tempo em que videogames eram exclusivos para homens. O mercado gamer foi mudando drasticamente com o passar dos anos e se adequando a vários tipos de público, e o das mulheres é um deles. Claro que foi muito bem vindo, até mesmo porque curtir um bom jogo com uma amiga, namorada ou esposa é fantástico (o mesmo vale pras meninas com seus amigos, namorados e maridos). E agora estão lançando cada vez mais jogos voltados para elas.
Vendo essa proposta, a Nintendo também resolveu entrar no barco, lançando para Nintendo DS o jogo Super Princess Peach. Agora não tinha outra, pois a garota que não gostava de Mario agora poderia se divertir com a princesa que o encanador tanto salva, tudo com uma engraçada inversão de papéis (explicarei melhor adiante). Veja agora uma análise mais detalhada sobre esse divertido jogo:
Jogabilidade:
É o grande diferencial de Super Princess Peach, mesmo tornando o jogo mais fácil. Este game você joga com a Princesa Peach, que possui ataques e poderes um tanto diferentes do que estamos acostumados a ver em Mario. Além do costumeiro pulo em cima da cabeça para derrotar os inimigos, Peach conta com quatro poderes distintos, todos disponíveis na tela sensível ao toque, mostrando o bom uso da mesma. Estes poderes são:
Cantarolar: permite que a princesa voe e plane pelas fases;
Chorar: faz com que Peach corra mais rápido, e também permite molhar sementes e objetos do cenário para desbloquear certos caminhos;
Enraivecer: envolve Peach em chamas, podendo queimar pontes, além de fazer com que ela ande a passos pesados, fazendo algumas plataformas de pedra quebrar ou alguns botões serem acionados;
Felicidade: repõe HP.

É claro que todos esses poderes possuem um custo, e quanto mais você os usa, mais a barra de magia é consumida, então é sempre bom calcular aonde e quando você vai usar os poderes. Tudo isso deixa a jogabilidade mais fácil, fazendo com que as passagens secretas sejam fáceis de encontrar, ou os chefões menos intimidadores, mas como este game foi feito para um público mais descompromissado, todos estes recursos são bem vindos e deixam a experiência muito divertida.
Além dos poderes citados acima, alguns ataques e upgrades também podem ser adicionados ao jogo, podendo ser comprados na loja de Toad. Com isso, o antigo e já conhecido propósito de pegar 100 moedas para conseguir uma vida é substituído por “quanto mais dinheiro, mas coisas você pode comprar e fortalecer a Peach”, o que é de se esperar de um jogo feito para uma princesa (piadas à parte). Para quem está interessado em jogar algo não tão difícil, mas divertido, Super Princess Peach é uma ótima escolha.
Gráficos:
Os gráficos lembram bastante os já vistos em Yoshi Island, mas com uma aparência menos “giz de cera em tons pastéis” e mais “cores vibrantes em traços femininos”. Estaria mentindo se este título não fosse voltado para meninas, mas mesmo assim ele consegue atrair a qualquer público por causa de sua diversão. Já vi muitas pessoas criticarem este jogo sem nem ao menos terem jogado (eu já fui uma delas), dizendo com uma visão machista e preconceituosa de que este jogo não é para garotos (Bayonetta sofre muito com isso também), mas como é errado julgar um livro pela capa, Super Princess Peach consegue atingir as expectativas e é, sem sombra de dúvidas, um boníssimo jogo, não importando a que público ele está destinado.

Voltando a parte técnica e visual, SPP (vou preferir reduzir este nome a siglas para não ficar exaustivo) volta ao bom e velho estilo plataforma 2D muito conhecido e que consagrou os jogos do Mario, mas sem nenhum acréscimo 3D (como vimos em New Super Mario Bros.). os personagens são em 2D, os cenários, tudo é desenhado, lembrando novamente Yoshi Island, mas com seu próprio estilo.
O mais engraçado são os inimigos, cada um com um tipo diferente de sentimento caricaturado, e do mesmo jeito que Peach consegue habilidades com os sentimentos, os inimigos também se apresentam de maneiras diferentes, dependendo do que ele está sentindo (se está alegre, ou cantarolando, ou enraivecido, ou choramingando). Este é o estilo de SPP: o lado mais emotivo, mas sem parecer chato (ou Emo).

Trilha Sonora:
A trilha sonora não é a parte mais interessante em SPP, mas também não decepciona. Ela não é ruim, mas também não é tão bom o suficiente para querer ouvir toda hora. Não se surpreenda se você jogar este título sem som, até mesmo para aproveitar mais bateria. Mas mesmo ela não sendo tão boa, ela se encaixa perfeitamente no jogo, mostrando o lado “feliz” e “encantado” da princesa Peach.

O que mais marca também é os efeitos sonoros, ainda mais quando ouvimos Peach gritando quando sente dor, ou quando ela começa a chorar, ou quando ruge ao estar enraivecida. E o mais legal de tudo, quando o logo da Nintendo aparece na tela e ela o lê com seu jeitinho carinhoso. Pode parecer meio estranho eu estar escrevendo sobre isso, mas vindo de um portátil onde só temos textos ao invés de diálogos, estes sons se tornam reconfortantes.
Imersão:

Não preciso me esforçar em escrever que a Nintendo faz jogos viciantes. As mesmas horas empenhadas em jogar os títulos de Mario e Zelda parecem ser os mesmos em SPP, pois este jogo conquista facilmente, tanto por sua jogatina intuitiva e divertida quanto por seu visual desenhado e nostálgico. É mais um jogo que cumpre seu papel dando horas e horas de muito lazer. O único empecilho são os Toads, que vou falar mais adiante na história.
História:

Como já vimos em Mario, ele precisa quase sempre resgatar Peach das mãos de Bowser. Agora em SPP é o contrário: a princesa precisa resgatar Mario, Luigi e os Toads. Nada muito inovador, mas torna todo o jogo muito mais engraçado. Esse papo de que a mulher tem que esperar até o seu grande herói salvá-la já está bem batido nos tempos em que vivemos e nada mais justo que os games também mostrarem que isso não rola mais.
Passando agora para o lado obscuro do jogo, que são os Toads. Para quem ainda não sabe, em cada fase temos que encontrar 3 Toads, e eles estão espalhados pelo cenário esperando ser resgatados. Parece uma proposta descompromissada e divertida até, como os collectables em encontramos em qualquer jogo assim (vide as três moedas douradas em New Super Mario Bros.). Mas ninguém esperava (muito menos eu), de que esses Toads eram tão importantes.
Por que estou dizendo isso? Simples, porque quando você finalmente vai enfrentar o Final Boss, aparece uma mensagem que diz: você ainda não salvou todos os Toads, volte quando estiver com todos eles. Essa curta, mas direta mensagem fez com que todo o meu conceito sobre SPP mudasse. Como assim me obrigar a salvar esses Toads para zerar o jogo? Ninguém me avisou sobre isso! Não era obrigação desde o início! Então tenho que voltar a jogar todas as fases e salvar os que eu acabei deixando tudo para tentar zerar este jogo mais rapidamente? Para mim, isso não faz o menor sentido.
Dificuldade:
A proposta de SPP era a de atrair ao publico mais casual e feminino para o universo de Peach, e com certeza funcionou, mas o que dizer daqueles que gostam de jogos mais hardcore? Bem, acabou que este título frustra por causa das poucas fases e dos poucos desafios encontrados nelas.

Como já vimos em jogos do Mario, em cada mundo encontramos umas 8 fases (dependendo do mundo em que esteja), mas em SPP só encontramos exatos 6 fases em cada mundo, sendo 5 normais e uma pro boss. Quem está acostumado a jogar tantas fases sente um pouco de falta na hora de jogar, e fica a sensação de que o jogo passou rápido demais.
Já para o nível de dificuldade, não há nada neste jogo que realmente ponha o gamer a prova. São basicamente os mesmos objetivos perante os mesmos inimigos e armadilhas, tudo posto em ordens diferentes, não apresentando desafio algum. Parece que toda a dificuldade que poderia existir em todo o jogo foi acumulada no salvamento dos Toads, que como expliquei não faz sentido algum e deixa a desejar. Acho até mesmo que o público causal sentiu essa facilidade exacerbada.
Conclusão:
Super Princess Peach faz com bom gosto o que muitos estavam esperando: mais diversão, mas com toques de inovação. Seria pecado alguém dizer que este título é somente uma versão de Mario para garotas, porque não é, e os dois jogos possuem diferenças consideráveis. Deixando a desejar em alguns pontos, principalmente pelos Toads, o game poderia ter sido melhor, mas está aceitável para quem não quer se preocupar com muitas coisas além de se divertir. Recomendado tanto para homens quanto para mulheres, pois mesmo tendo uma temática feminina, ela não incomoda ninguém. Recomendado para quem desejar jogar um título de plataforma 2D.
