
A franquia Kingdom Hearts dispensa comentários. O jogo feito pela Square Enix em parceria com a Disney Interactive Studios conquistou uma legião de fãs que adoravam os personagens marcantes e as histórias comoventes de Final Fantasy junto com as animações bem humoradas e os personagens caricaturados da Disney.
Quando Kingdom Hearts 1 foi lançado, todos estavam olhando torto para o título, pensando que não era possível fazer um crossover entre empresas tão diferentes, mas todos estavam errados, fazendo Kingdom Hearts um marco na sexta geração de consoles.
Agora que a franquia estava fazendo sucesso, vários outros jogos foram sendo feitos para outros consoles, sendo cada um deles uma parte que cobria os diversos buracos deixados pelos dois primeiros títulos. O terceiro jogo se passava entre o 1 e o 2 – Chain of Memories – lançado primeiramente para Game Boy Advance e depois ganhou uma versão para PlayStation 2, mostrando o que havia acontecido com Sora.
Agora só faltava um título que falasse um pouco mais sobre Roxas e o que havia acontecido com ele no mesmo tempo em que Sora estava dormindo (Chain of memories e Kingdom Hearts 2), então eis que surge Kingdom Hearts 358/2 Days, que nos revela um pouco mais sobre sua estadia como membro da Organização XIII. Confira agora uma análise mais detalhada sobre este jogo que marcou o gênero RPG com ação para Nintendo DS.
História:
Em meio a tantos jogos com história sem sal feitos para Nintendo DS, a trama feita para 358/2 Days é sensacional e se sobressai com o estilo melancólico (mas divertido) conhecido pelos outros jogos da franquia, conseguindo chegar ao nível de Final Fantasy Crystal Chronicles: Ring of Fates, cuja história também é admirável.
Como já expliquei anteriormente, a bola da vez é Roxas, e a história se passa de uma maneira cronológica (e bota cronológica nisso) nos dias que o garoto passa como membro da Organização XIII. Sendo bastante breve nesta parte, pois a trama possui muitos spoilers e eu não quero estragar a alegria de ninguém, Kingdom Hearts 358/2 Days conseguiu ser um dos jogos mais marcantes de todos no quesito história.

A única falha na história é o jeito em que ela é passada, na maioria das vezes com um monte de textos para ler, e como o jogo é longo e as missões repetitivas (falarei melhor sobre isso mais adiante), os acontecimentos importantes demoram a ocorrer, dando uma impressão de “enchimento de lingüiça”, e os textos acabam tirando um pouco da magia que 358/2 days poderia ter, mas tudo isso é recompensado com cutscenes belíssimas cujo roteiro é imprescindível para entender a história, o que acaba dando um melhor vigor no jogo, visto que existem um monte de títulos para DS que poderiam ser brilhantes, mas não foram, tudo graças aos textos quilométricos. E quando o jogo é zerado, podemos rever as cutscenes no “cine mode”, e lembrarmos o quão bom e emocionante foi jogar este título de encher os olhos.
Gráficos:

Outro ponto que não posso deixar de lado é a beleza gráfica de 358/2 Days. Foi a época em que começaram a fazer jogos com gráficos belíssimos para Nintendo DS, mostrando que o portátil tinha muito potencial, e Kingdom Hearts entrou no barco, nos dando gráficos nunca antes vistos em nenhum outro jogo relativamente antigo. Os serrilhados são muito poucos, a modelagem dos personagens está muito bem feita, os poderes e golpes colorem a tela, sem falar nos cenários, que mesmo que já tivéssemos visto eles nos jogos para PlayStation 2, os da versão de Nintendo DS estão bem parecidos.
A queda de frames por segundo é pouca e só ocorre quando muitas coisas estão acontecendo no jogo. O único ponto fraco disso tudo é que para evitar a queda de frames, encontramos muito poucos inimigos para enfrentar, deixando o jogo um pouco monótono às vezes. Se compararmos com Kingdom Hearts Re: Coded veremos claramente que existem mais inimigos na tela em Re: Coded do que em 358/2 Days. Nada que estrague o jogo, mas um pouco mais de inimigos preenchendo a tela não seria ruim.
Jogabilidade:

Mesmo tendo os seus defeitos, a jogabilidade de 358/2 Days não falha tanto quanto alguns esperavam ou acharam. Como eu ainda não tive a oportunidade de jogar Kingdom Hearts 1 e 2, não senti diferença ao jogar o título para DS, mas já vi muitas pessoas que já puderam jogar os de PlayStation 2 reclamarem da jogabilidade do de DS. Mas em comparação com muitos jogos do portátil que tentaram fazer uma jogabilidade com ação, 358/2 Days consegue ser o melhor do gênero, passando dinamismo e estratégia com perfeição.
O que consegue arruinar tudo isso é a câmera, uma das maiores vilãs do jogo e que persegue a franquia aonde quer que ela esteja. Os movimentos de câmera são burros e lentos, não ajudando o jogador em nada, ocasionando muitos “Game Overs”. Pelo menos a câmera de 358/2 Days consegue ser mais esperta que a de Re: Coded, que vira o cúmulo da burrice durante todas as partes de ação.
O sistema de combate é eficiente, os combos fáceis de fazer e existe ma série de Key Blades a disposição do jogador, deixando o título bastante versátil. Concluindo: bastante porradaria e magias.
Trilha Sonora:
Não preciso falar muito da trilha sonora, pois ela já foi vista em jogos anteriores de Kingdom Hearts. Mesmo elas sendo muito bonitas, dá uma impressão de “mais do mesmo” ou “reaproveitamento de material”. Até a música tema “Sanctuary” foi pega emprestada de Kingdom Hearts 2. Não achei a trilha sonora ruim, mas pelo menos um pouco de inovação seria bem vinda.
358/2 Days começa a ter identidade musical própria no final do jogo, quando passamos das missões repetitivas e começamos a ver o desfecho do jogo. A música tema de Xion é admiravelmente bonita, confiram:
Músicas como essa que acabamos de ouvir marcam significativamente um personagem ou uma cena, e esta música faz com que a história fique em um tom melancólico perfeito, enfatizando os acontecimentos nada felizes no final do jogo. Em seguida, temos nos créditos finais uma belíssima versão de Sanctuary só em vocal e com um piano de fundo, fechando com chave de ouro este incrível game. Mesmo com a repetição de músicas, elas são muito bonitas.
Imersão:

A palavra “vício” de nosso dicionário devia ser substituída por “Kingdom Hearts”, pois a atmosfera da franquia é absurdamente encantadora, viciante e conquistadora, nos fazendo entrar nos mundos de Kingdom Hearts com muito brilhantismo. Mesmo com a repetição de mundos da Disney, algo em 358/2 Days chama tanta atenção que nos faz querer jogar mais e mais. Talvez seja pelo fato de nós estarmos finalmente mais íntimos da Organização XIII, que deixou tantos mistérios no ar em Kingdom Hearts 2 e que agora podemos conferir os propósitos de Xemnas mais de perto, além da amizade sendo construída pouco a pouco entre Roxas e Axel.
O jogo pode ser demasiadamente longo, mas essa longevidade dá a nós jogadores tempo o suficiente para conhecer os personagens e de nos ligá-los melhor a eles, e quando nos vemos no final, eles já nos conquistaram. 358/2 Days foi o meu incentivador de conhecer melhor a história por trás de Roxas e Sora, e me cativou tanto a ponto de estar escrevendo esta noticia com tanto gosto. Isso é Kingdom Hearts.
Modo Multiplayer:

Infelizmente não pude testá-lo, mas este modo promete bastante diversão. Você pode jogar com seus amigos com qualquer um da Organização XIII, e com eles você pode enfrentar as missões já desbloqueadas só por descontração. Não é o ponto forte de 358/2 Days, mas promete uma jogabilidade mais casual e divertida. Além de que, poder jogar com qualquer um da Organização XIII deve ser algo incrível.
Repetição:

O único ponto realmente fraco deste título. Além da câmera desagradável, este jogo pode desanimar até mesmo por causa da repetição de missões. Não há muita variedade, e todas elas sempre são feitas a exaustão, salpicadas por mais textos desnecessários. Em uma parte ou outra acontece algo relevante, e para quem não é muito determinado e estava à procura de algo mais casual, 358/2 Days não é lá a escolha certa.
O próprio Re: Coded veio com a proposta de ser mais casual (por isso é que não me surpreendeu, mas falarei mais abertamente sobre ele em uma próxima análise), enquanto 358/2 Days foi feito para aqueles que querem saber o que se passa na história, ou que já está acostumado a um nível de dificuldade maior. Para quem é realmente fã de Kingdom Hearts, não pode deixar de jogar este título.
Conclusão:
Apesar de todas as falhas, Kingdom Hearts 358/2 Days consegue atender ao pedido de vários donos de um Nintendo DS que estavam procurando por um jogo que tivesse aventura, ação, toques de RPG e acima de tudo, uma boa história. Somos bombardeados quase que sempre com jogos ralos e feitos sem nenhum carinho, mas este jogo merece toda a nossa atenção. Muitos fãs não gostaram por estar diferente dos de PlayStation 2, mas o que eles não sabem é que eles não estão jogando em um PlayStation 2, e sim em um portátil cheio de limitações, e 358/2 Days consegue se adaptar a elas e fazer tudo funcionar como deve. Falando vulgarmente, este título consegue chutar a bunda de muitos outros jogos para DS que mesmo tendo uma boa jogabilidade e bons gráficos, tem uma história quase inexistente. Sem dúvida é um dos melhores jogos para Nintendo DS.
