
Faz um tempinho que os jogos do Sonic não estão agradando, principalmente aos fãs mais nostálgicos. Alguns querem inovações, mas ao mesmo tempo a boa e velha essência conhecida pelo ouriço azul, mas com o tempo o que nós conhecíamos sobre o herói mais veloz da SEGA foi se perdendo, e mais personagens e histórias foram sendo acumulados em um monte de jogos cujos críticos não conseguiam dar o dedo afirmativo e dizer: “nossa, neste jogo eles acertaram”.
Mas finalmente a Sonic Team se reergueu das cinzas, conseguindo inovar com muita qualidade em termos de gráficos, jogabilidade e acima de tudo, experiência de jogo. Dei toda esta volta para ilustrar até mesmo a minha insegurança para com os novos jogos que foram lançados de Sonic e Cia., uma insegurança compartilhada por muitos, e quando acabei de zerar este jogo do qual estou escrevendo essa análise, fiquei aliviado e me sentia alegre novamente por jogar um título da Sonic Team. Este jogo é Sonic Colors.
Fique agora com minha análise e veja o porquê que eu fiquei tão feliz (lembrando que o jogo analisado aqui é a versão para DS, não para Wii):
Jogabilidade:
Retornando a velha e boa forma de antigamente, quando você passava horas jogando Sonic The Hedgehog 1 pra Mega Drive, Sonic Colors consegue deixar o título muito dinâmico, mantendo a mesma fórmula vista em seus dois antecessores lançados pra Nintendo DS (Sonic Rush e Sonic Rush Adventure), mas com alguns acréscimos que o deixaram único e totalmente viciante.

Os dois acréscimos que mais chamam a atenção são os Wisps, seres alienígenas que te ajudam a passar das fases com seus incríveis poderes (os Wisps vão ser mais detalhados mais adiante), e o famoso Homing Attack, aquela mira que aparece nos inimigos quando você pula só para facilitar a jogabilidade, que se tornou ícone dos jogos em 3D do ouriço. A jogabilidade ficou bastante fácil e simples, deixando todo o jogo mais rápido e mais prazeroso de jogar (a mudança é visível quando você vê que não pode usar o Homing Attack nos dois títulos antecessores).
Gráficos... ou melhor, Arte Visual:

O que mais impressiona em Sonic Colors é o seu Concept Art. O nome Colors do jogo não foi colocado a toa, mostrando ao jogador uma bela fusão de cores, e cada zone é mais bonita que a outra, dando ao game muito mais vida. É claro que a versão de Wii consegue esbanjar muito mais efeitos e cores, mas a versão de DS não deve em nada.
Os gráficos também estão bastante harmoniosos, e a modelagem do Sonic está muito bem feita, não mostrando muitos serrilhados e tendo um ótimo desempenho no jogo, não dando slowdowns nem nada do gênero. Se alguém presenciou alguma queda de frames por segundo, então é bom fazer um exame de vista. A concepção de arte é tão prezada no jogo que quando você consegue pegar as Red Rings (são 5 em cada fase) algumas delas liberam fotos de Concept Art de personagens e cenários, além de poder liberar as músicas e efeitos sonoros tocados durante o jogo.
Trilha Sonora:
Quem é que não se lembra daquela música épica da Green Hill Zone que grudava na sua cabeça que nem chiclete? Pois é, a equipe da Sonic Team conseguiu fazer um trabalho excepcional em Sonic Colors na parte de trilha sonora, dando ao game uma lista incrível de músicas muito bem feitas. Pela qualidade de som que vemos em muitos jogos pra DS, Sonic Colors consegue chegar ao topo, sem parecer que as músicas foram tiradas de toques de celular.
Não podemos esquecer os efeitos sonoros, que deixam o jogo muito mais realista e bonito. É incrível ouvir a música ficar um pouco distante quando o Sonic entra na água, como ouviríamos uma música se estivéssemos submersos, além do som dos anéis sendo pegos e da famosa música mortal da contagem regressiva até o ouriço perder todo o ar de seus pulmões. A música tema do jogo – Reach for the Stars – é muito bonita e consegue ter a mesma essência do jogo, pena que Johnny Gioeli, o vocalista de quase todas as músicas temas dos jogos do Sonic, não esteja presente para mostrar sua voz rasgada de sempre.
História:
A história somente serve como pano de fundo para que os acontecimentos façam sentido. Não estou falando mal da história, mas a história de Sonic Colors para DS não é muito bem abordada, principalmente por causa das limitações do aparelho de não conseguir colocar em um único cartucho uma série de cutscenes de uma vez.
Então ao invés das cutscenes, ficamos com um monte de textos e desenhos estáticos de Sonic e Cia, deixando tais partes um tanto monótonas de se ler. Não se preocupe se você acabar passando essas partes direto sem nem ao menos ler, até mesmo porque não é tão necessário lê-las.

Mas retirando todas essas falhas, a história consegue ter seu charme, como as histórias dos jogos do Sonic conseguem ter. Dessa vez o Dr. Eggman está tentando se redimir de todos os seus malefícios, e constrói um parque de diversão no espaço para mostrar o quanto ele estava bonzinho. Mas como nós o conhecemos bem, não era essa a sua verdadeira intenção, e o parque de diversões se torna uma prisão de Wisps, os seres alienígenas que eu citei anteriormente, para se aproveitar dos poderes dos mesmos. Então a nova missão do ouriço azul é a de salvá-los e derrotar mais uma vez esse terrível vilão.

Nada que nós já não tenhamos visto, mas mesmo assim ela convence em meio à arte incrível do jogo. E por falar nos Wisps, eles são o grande destaque no jogo, e são responsáveis por varias habilidades especiais para ajudar Sonic a passar pelas zonas. Infelizmente, a versão para DS tem menos Wisps que a versão de Wii (a do portátil dtem 6 enquanto a do Wii tem 8). E os que aparecem na versão pra DS são:
Grey (Boost): dá ao jogador maior velocidade, podendo derrotar inimigos e andar sobre as águas facilmente;
Cyan (Laser): transforma-o em um laser que corre velozmente, vencendo inimigos e passando por armadilhas;
Purple (Void): transforma-o em um vórtice que engole tudo que vê pela frente;
Red (Burn): envolve-o em chamas, fazendo você voar e explodir coisas;
Yellow (Drill): transforma-o em uma escavadeira;
Orange (Rocket): transforma-o em um foguete.
Imersão:
Se você já chegou a esta parte da análise, então não preciso descrever com tantas palavras se eu acho este jogo imersivo. Sonic Colors é o supra-sumo dos jogos do Sonic para Nintendo DS, então quer dizer que este jogo consegue te deixar tão imersivo que não irá querer jogar outra coisa a não ser Sonic Colors. Toda essa avaliação pôde ser feita em apenas uma noite, quando resolvi sem muitas expectativas zerá-lo. Este é um exemplo de como esse jogo é viciante. É uma pensa que este jogo seja tão curto, e é o que você vai saber melhor a seguir.

Duração:
Sonic Colors é muito divertido, atraente e com uma jogabilidade incrível, pena que é muito curto. Não estaria mentindo se este jogo teria mais ou menos 2 ou 3 horas de duração, podendo até ser zerado em menos tempo para os mais habilidosos e acostumados com a jogabilidade. Na minha primeira tentativa em jogá-lo, consegui zerar com todas as esmeraldas do caos pegas (não ensinarei nada sobre como pegá-las, vocês terão que aprender sozinhos), mas mesmo assim, o jogo durou muito pouco. As Red Rings ajudam o jogo perdurar, mas não o suficiente até ele ser esquecido em pouco tempo.
Podemos acarretar tão pouca duração ao fato do jogo não ficar pesado demais para o Nintendo DS. A versão para Wii tem 7 fases em cada zone, incluindo a do chefão, enquanto a de DS só possui 3. É relativamente muito pouco, e os desenvolvedores poderiam ter dado um pouco mais de atenção a versão portátil, mas nada que vá estragar por completo o jogo.
Conclusão:
Como falei no inicio da análise, Sonic Colors conseguiu trazer de volta a vida uma franquia que estava decaindo aos poucos, e todo o vigor que estávamos esperando ver do ouriço foi posto neste belíssimo game. Os cenários, os personagens, a jogabilidade, a trilha sonora, tudo consegue agir como um só, deixando a experiência de jogo cada vez melhor a cada zona concluída. Sem dúvida nenhuma e sem medo de errar, Sonic Colors se tornou um dos melhores jogos já feitos para o portátil, e se os futuros jogos da Sonic Team seguirem este padrão de qualidade, verão que até mesmo os fãs mais nostálgicos irão apreciá-los sem fazer aquelas comparações chatas. Sonic teve de mudar, mas mudou para melhor, bem melhor.
